sexta-feira, 11 de abril de 2014

[Resenha] Minha Metade Silenciosa - Andrew Smith

Título: Minha Metade Silenciosa.
Título original: Stick.
Autor: Andrew Smith.
Editora: Gutenberg.
Nº de páginas: 304.

Sinopse: Stark McClellan tem 14 anos. Por ser muito alto e magro, tem o apelido de Palito, mas sofre bullying mesmo porque é “deformado”, já que nasceu apenas com uma orelha. Seu irmão mais velho, Bosten, o defende em qualquer situação, porém ambos não conseguem se proteger de seus pais abusivos, que os castigam violentamente quase todos os dias. Ao enfrentar as dificuldades da adolescência estando em um lar hostil e sem afeto – com o agravante de se achar uma aberração –, o garoto tem na amizade e no apoio do irmão sua referência de amor, e é com ela que ambos sobrevivem. Um dia, porém, um episódio faz azedar terrivelmente a relação entre Bosten e o pai. Para fugir de sua ira, o rapaz se vê obrigado a ir embora de casa, e desaparece no mundo. Palito precisa encontrá-lo, ou nunca se sentirá completo novamente. A busca se transforma em um ritual de passagem rumo ao amadurecimento, no qual ele conhece gente má, mas também pessoas boas. Com um texto emocionante, personagens tocantes e situações realistas, não há como não se identificar e se envolver com este poético livro.

Nota Pessoal:

Se tem uma coisa que eu preciso falar – ou escrever – antes de colocar em palavras os sentimentos que me acometeram durante a leitura deste livro, é que Andrew Smith é um autor que consegue – de uma maneira bem particular, é verdade – colocar sentimentos verdadeiramente cruéis em sua narrativa – ao menos neste livro. Preciso dizer isso porque não foram muitas as histórias que me pareceram tão cruéis, mas ao mesmo tempo temperados com sentimentos tão bons e esperançosos. O autor, que de longe se saiu melhor do que o esperado ao escrever esta história que a sinopse poderia sugerir ser ‘clichê’, me deu novas perspectivas de vida, sofrimento, amor, amizades e acima de tudo, esperança. Minha Metade Silenciosa é uma ficção tão real quanto à própria estrutura física do livro. E isso é apenas um elogio que não se pode comparar ao que a história realmente é.

A história do garoto Stark – chamado e conhecido por Palito – é mesmo bem triste. Não apenas triste, mas um golpe de ‘não sorte’ bem cruel. Contada pelo próprio, ao abrir o livro, o leitor já vai se deparar com uma narrativa bem crua, sem pudores e totalmente permeada por doses exageradas de sentimentos - de uma maneira positiva - tanto bons, quanto ruins. O modo como o Stark conta sua história é também outra particularidade da narrativa: ele oferece pausas necessárias para que o leitor ouça o mundo como ele próprio o ouve.

terça-feira, 1 de abril de 2014

[Resenhando Nacional] Azul da Cor do Mar - Marina Carvalho


Título: Azul da Cor do Mar.
Autora: Marina Carvalho.
Editora: Novo Conceito (Novas Páginas).
Nº de páginas: 337.

Sinopse: ACASO, DESTINO ou LOUCURA? No caso de Rafaela, Pode ser tudo isso junto. Para alguém como ela, nada é impossível. Rafaela sonha desde a adolescência com o garoto que viu uma vez, perto do mar, carregando uma mochila xadrez... A idéia fixa não a impediu, porém, de ser uma menina alegre e muito decidida. Ela quer ser jornalista, e seu sonho está se concretizando: Rafaela Vilas Boas (um nome tão imponente para alguém tão desajeitado) conseguiu um estágio no melhor jornal de Minas Gerais. Mas, como estamos falando de Rafa, alguma coisa tinha que dar errado. O jornal é mesmo incrível, mas seu colega de trabalho, Bernardo, não é a pessoa mais simpática do Mundo. Em meio a reportagens arriscadas – e alguns tropeços -, Bernardo acaba percebendo, contra a sua vontade, que Rafaela leva jeito para a coisa... E que eles formam uma dupla de tirar o fôlego. Mas e a mochila? E o garoto, o envelope, as cartas? Um dia a estabanada Rafaela vai ter que se libertar dessa obsessão.

Nota Pessoal:

A divertida história da aspirante/quase jornalista, Rafaela, é daquelas que vai te envolver de um jeito quase impossível de largar o livro. O enredo é legal, a narrativa é fluída e envolvente e a personagem principal é do tipo que vai te arrancar boas risadas, mas também vai oferecer momentos melodramáticos, daqueles bem típicos de chick lit.

Quando eu soube do lançamento de Azul da Cor do Mar fiquei com muita vontade de ler. Muita mesmo! Acho que principalmente porque a Rafa – a protagonista – é estudante de jornalismo e eu esperava me identificar muito com a história que a autora se propôs a escrever – grande parte passada na redação de um grande jornal nacional, o terceiro maior. E não é que a experiência foi tão divertida quanto imaginei?! Marina Carvalho escreveu um chick lit que parece não fugir das características inerentes ao gênero, mas o que não se pode negar é que o resultado dessa aventura à lá comédia romântica foi tão bom quando se poderia esperar.

Logo no início – antes mesmo do primeiro capítulo – a autora nos apresenta uma Rafa criança, com dez anos, que vai passar as férias costumeiras na casa de praia dos avós e acaba conhecendo um garoto misterioso. Um garoto que andava com uma mochila xadrez – uma mochila pra lá de intrigante, é verdade. E nessas pouco mais de duas páginas a autora nos oferece esse mistério: quem é esse menino da mochila xadrez e dos olhos tão azuis quanto o mar? Esse menino que despertou não só um amor, mas uma curiosidade na Rafaela criança? Até aí tudo bem.

“ Sabe, garoto, se fosse possível, juro, eu caçava você, nem que tivesse que percorrer cada canto deste mundo. Porque alguma coisa me diz –sempre disse – que você é uma pessoa incomum, capaz de amar intensamente e se permitir ser amado da mesma forma.” Pág.: 132

Quando chegamos ao primeiro capítulo já nos deparamos com uma Rafaela adulta, vinte e um anos, estudante do sétimo período de jornalismo, e prestes a começar como estagiária no setor investigativo do Folha de Minas, o jornal de maior circulação lá de Minas Gerais.

Só que o que acontece?! Tcharãn, o mentor da Rafa no estágio é um cara super mal humorado, chato e todo dono de si, que atende pelo nome de Bernardo. E definitivamente aquele cara – que a Rafa fez questão de deixar claro, seria muito, muito! Bonito se não fosse tão arrogante – não facilitaria a vida da nossa aspirante à jornalista.

segunda-feira, 24 de março de 2014

[Resenhando Nacional] Apimentando - Janaina Rico; por Karol Almeida

Olá!!!
Eu sou a Karol Almeida e como o Ronaldo já falou num outro post, sou a nova resenhista do blog. Espero atender as expectativas de vocês \õ. Então, vamos lá. Minha primeira resenha é do ‘Apimentando da Janaina Rico.
Título: Apimentando.

Autora: Janaina Rico.

Editora: Pedro e João.

Nº de páginas: 252.

Sinopse: Luciana Teixeira é uma das sexólogas mais famosas do Brasil. Com mais de um milhão de livros vendidos, ainda apresenta programas de televisão e dá palestras em todo país. Mulheres de todo o mundo buscam os seus conselhos para conseguir uma vida sexual mais intensa. O que elas não sabem é que, embora seu casamento aparente ser um verdadeiro comercial de margarina, Luciana nunca teve um orgasmo com o seu marido. Tudo muda na vida da sexóloga ao contratar um novo personal trainer. O orgasmo tão desejado está mais perto do que ela poderia imaginar. Acontecimentos inesperados também mudarão seu destino.


Opinião da Karol:

“Apimentando” conseguiu superar as minhas expectativas por vários fatores, entre eles a desenvoltura da história; o livro consegue prender a atenção do leitor até o final e sua leitura é muito gostosa, pois relata o cotidiano de uma mulher poderosa e influente no país que sofre por uma reviravolta em sua vida.

Apesar da capa do livro nos a imagem de ser conteúdo erótico, sim, em alguns momentos terão cenas sensuais, mas a Luciana – protagonista - consegue tornar esses momentos cômicos. Outra coisa que adorei nele foi à facilidade de mesclar os gêneros: conseguimos encontrar drama, comédia e até um pouco de suspense; então a autora conseguiu fugir do clichê que era muito colocado aos chick-lits.

Luciana é divertidíssima (bem, depois que conseguimos entendê-la e conhecê-la melhor). Ela é uma sexóloga de muito sucesso que vivencia há quase 20 anos um dilema: enquanto para a mídia ela é descrita como uma pessoa totalmente feliz, que aparenta ter um casamento perfeito (ou como ela mesmo diz “uma felicidade de comercial de margarina”) rsrs, e é sempre elogiado por cuidar bem de seu corpo e não aparentar a sua idade, na realidade sua vida é totalmente o contrário do que é posto.

“São quinze anos trabalhando como sexóloga. Desde que entrei na faculdade de psicologia, dedico-me ao estudo do sexo. As pessoas acham graça quando digo que o Kama Sutra é um objeto de trabalho. [...] Na teoria, sou uma "Deusa do Amor". Não existe problema algum na cama que eu não seja capaz de resolver. Bem, teoricamente... Na prática, a coisa não é bem assim.”

Sendo sua principal frustração a ausência de um orgasmo, Luciana, após quase 20 anos vivendo num casamento de “fachada”, sem amor ou qualquer tipo de interesse carnal conhece seu novo personal trainer (Vinícius) que começa a instigá-la de uma forma mais profunda, e desperta seu interesse por ele, porém diante de certos acontecimentos ela sofrerá uma grande transformação a partir de um deslize, que acarretará numa mudança drástica em sua vida e ela poderá somente contar com sua melhor amiga (Camilla) que sempre esteve ao seu lado, e de uma pessoa mais próxima que ela nunca deu à mínima, mas que ficará ao seu lado o tempo todo. E ainda terá que tomar cuidado com um louco que vive sofrendo ameaças constantemente.

E depois de tudo passado ela ainda nos deixa um questionamento ou para alguns até uma reflexão:

            “Como é que a gente sabe se é feliz, já que a felicidade é um conceito subjetivo?"

Eu espero que vocês gostem dela tanto quanto eu!
Beijos!
                           
                                                                    Karol Almeida

segunda-feira, 17 de março de 2014

[Resenha] Mago Mestre - Raymond E. Feist

Título: Mago: Mestre.
Título original: Magician: master.
Autor: Raymond E. Feist.
Editora: Saída de Emergência.
Nº de páginas: 432.

Sinopse: A saga épica de Midkemia continua… Passaram-se três anos desde o terrível cerco a Crydee. Os três rapazes que eram os melhores amigos do mundo encontram-se agora a quilômetros de distância. Pug, um escravo dos Tsurani, está prestes a se tornar um dos maiores magos que já existiram. Tomas, um grande guerreiro entre os elfos, arrisca-se a perder sua humanidade para a armadura encantada que veste. Arutha, príncipe de Crydee, luta desesperadamente contra invasores e traidores para salvar seu reino. Mago Mestre é recheado de aventura, emoção e ameaças tão antigas quanto o próprio tempo. Com o segundo volume de A Saga do Mago, Raymond E. Feist volta a provar que é um dos maiores nomes da literatura fantástica na atualidade.


Nota Pessoal:

Neste segundo volume d’A Saga do Mago, temos uma história ainda mais surpreendente e grandiosa que o anterior, Mago Aprendiz, e conta com cenários e fatos que ultrapassam as expectativas do leitor que ficou ávido para encontrar na continuação do primeiro, um enredo ainda mais rico e complexo; e encontrou. Mago Mestre desvenda com maestria um mundo curiosamente interessante e traz em suas mais de quatrocentas páginas, personagens evoluídos e fronteiras que parecem incluir a obra e o nome do autor entre os mais importantes da fantasia épica. Neste livro, o convite de descobrir a obra-prima da fantasia épica parece fazer todo o sentido, além de realmente fechar o ciclo iniciado em Mago Aprendiz: a luta acirrada e tão duradoura entre os seres do mundo de Midkemia e os Tsurani.

Quando decidi iniciar essa série fiquei surpreso ao descobrir que ela continha 25 volumes. Decerto que isso é algo que realmente assusta o leitor, muito embora ela seja escrita em ciclos. Exemplo: a história iniciada no volume um termina no volume dois; o volume três começa outro ciclo, no mesmo mundo, com os mesmo personagens – ou alguns deles -, mas com foco em outra coisa. E este ciclo em questão, que vêm nos contar a história do menino Pug, aprendiz do mago Kulgan, e da luta entre Midkemia contra esses outros serem chamados Tsurani, que invadiram o mundo de Pug, termina realmente em Mago Mestre. E termina, real e literalmente, como um bom épico deve ser: cheio de batalhas, sacrifícios e com mensagens importantes sobre lealdade e amizade.