segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

[Resenha] Uma Longa Jornada - Nicholas Sparks

Título: Uma Longa Jornada.
Título original: The Longest Ride.
Autor(a): Nicholas Sparks.
Editora: Arqueiro.
Nº de páginas: 368.
Sinopse: Aos 91 anos, com problemas de saúde e sozinho no mundo, Ira Levinson sofre um terrível acidente de carro. Enquanto luta para se manter consciente, a imagem de Ruth, sua amada esposa que morreu há nove anos, surge diante dele. Mesmo sabendo que é impossível que ela esteja ali, Ira se agarra a isso e relembra diversos momentos de sua longa vida em comum: o dia em que se conheceram, o casamento, o amor dela pela arte, os dias sombrios da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos sobre eles e suas famílias.
Perto dali, Sophia Danko, uma jovem estudante de história da arte, acompanha a melhor amiga a um rodeio. Lá, é assediada pelo ex-namorado e acaba sendo salva por Luke Collins, o caubói que acabou de vencer a competição.Ele e Sophia começam a conversar e logo percebem como é fácil estarem juntos. Luke é completamente diferente dos rapazes privilegiados da faculdade. Ele não mede esforços para ajudar a mãe e salvar a fazenda da família. Aos poucos, Sophia começa a descobrir um novo mundo e percebe que Luke talvez tenha o poder de reescrever o futuro que ela havia planejado. Isso se o terrível segredo que ele guarda não puser tudo a perder.Ira e Ruth. Luke e Sophia. Dois casais de gerações diferentes que o destino cuidará de unir, mostrando que, para além do desespero, da dificuldade e da morte, a força do amor sempre nos guia nesta longa jornada que é a vida.

 Nota Pessoal:
“ – Meu nome é Ira Levinson e hoje vocês ouvirão minha história de amor. Não o tipo que poderia imaginar. Não é uma história com heróis e vilões, tampouco uma com belos príncipes e princesas [...] Uma história como muitas outras, exceto pelo fato de Ruth ter um olho para a arte, ao passo que eu só tinha olhos para ela.” Pág.: 349
A estória de Uma Longa Jornada não é muito diferente das muitas que Nicholas Sparks escreveu. Quem gosta dos livros do autor sabe o quanto é difícil expressar a singularidade de cada enredo criado; porque realmente todos os livros parecem seguir a mesma linha romântica e previsível. Mas não é assim. E a cada novo livro que leio, confirmo minha convicção de mesmo que sempre – ou quase sempre – o autor imprima em suas estórias uma característica ímpar de escrita (o casal romântico lutando para superar os obstáculos que consequentemente surgem), cada uma em particular tem sua forma e moldagem que se diferenciam.

E eu posso dizer, sem dúvidas, que Uma Longa Jornada ultrapassa os limites de uma boa estória de amor. O enredo cativante, os diálogos românticos, as descrições minuciosas que ajudar a tornar o cenário ainda mais real deixam no leitor a confirmação de que, mais do que ninguém, Nicholas Sparks é o melhor nome quando falamos em estórias de amor.

Ira acaba de sofrer um acidente de carro. Ele está preso nas ferragens em um dia em que a neve resolveu cair e as pessoas resolveram ficar em casa. O problema de tudo é que ele já está velho, e a cada minuto que passa suas chances de sobreviver diminuem gradativamente. E é nesse momento de agonia que a imagem de sua mulher já falecida, Ruth, aparece no carro com o propósito de mantê-lo vivo. Como?! Distraindo-o com as memórias de um casamento que durou décadas. Um casamento que passou por fases turbulentas e difíceis, mas que se provou forte e apaixonado até o fim.

Sophia estuda história da arte e após terminar um relacionamento complicado, está disposta a focar em sua própria vida e estudo. Mas quando sua amiga de quarto – Marcia – insiste para irem a um rodeio local, e ela conhece Luke, um dos melhores caubóis do rodeio, sua vida começa a mudar.
Luke e Sophia se veem atraídos e começam a se relacionar, a princípio retraída e timidamente, passando a um romance sincero, verdadeiro e puro.

Mas um segredo escondido por Luke poderá mudar o rumo de toda essa estória.
As estórias desses dois casais não poderiam ser mais distintas. Casais que viveram/vivem seus amores em épocas e de formas diferentes, que o destino unirá da forma mais cruelmente inusitada possível.
“Gostaria de ter talento para pintar o que sinto por você, porque palavras sempre parecem inadequadas. Imagino usar vermelho para sua paixão e azul-claro para sua bondade [...] E ainda me pergunto: a paleta de um artista pode captar o que você significou para mim?.” Pág.: 298
O livro, a princípio não parece fugir dos padrões pré-definidos que temos com relação ao autor. E como já falei, esses ‘padrões’ acabam se mostrando como um obstáculo que o Nicholas Sparks sempre supera ao surpreender a cada obra que lança. As estórias de ambos os casais mostraram totalmente diferentes. E isso se dá exatamente pelo fato de terem vivenciado épocas e situações diferentes, assim como obstáculos e limitações distintas.

Os personagens cativam, a forma de escrita simples instiga, e as aparentes estórias ‘comuns’ não são inovadoras, embora mostrem-se totalmente reais. Fato é que realmente o livro não traz nada de inovador até as estórias realmente se entrelaçarem (que só vai acontecer quase no fim do livro). Porém, o mais legal é realmente essa atmosfera conhecida que nos dá conforto na leitura.

É impossível não ser levado pelos flashes que Ira tem da sua vida com Ruth. Eles compartilharam uma história de amor tão linda, sincera e pura. Conhecemos o amor pela arte da Ruth; o tímido e nada corajoso Ira; as implicações causadas pela guerra e tudo que eles viveram. Tudo da forma mais crua e filosófica possível.

E então esse casal do século XXI. Sophia e Luke. Duas pessoas que acreditam no amor e que encontram – um no outro – a fortaleza que precisam. Os diálogos muito bem construídos, o texto detalhadamente bem escrito. Os dois são de mundos totalmente diferentes, mas consegue encontrar um eixo para a relação manter-se em equilíbrio.

Mas então o que o Nicholas quis mostrar com essa estória? Eu diria que assim como todas as anteriores, e todas as outras que virão, o autor sempre traz/trará em seus enredos a lição de que o amor é capaz de tudo, supera tudo e é a coisa mais importante na vida. E você me diz: Precisa mesmo escrever tantas estórias aparentemente iguais pra isso?

Precisa. E só são mesmo aparentemente iguais. Porque a cada livro ele mostra as facetas de um relacionamento sob diferentes perspectivas. Têm finais tristes – ou na vida também não é assim?! – e tem finais felizes. Os ângulos que o autor nos dá são totalmente diferencias.

E acho que a principal mensagem que Uma Longa Jornada pode nos passar é: se o amor verdadeiro, não importa em que época ou em que formato se molde, ele sempre será da mesma forma. A linha tênue que separava Ira e Ruth de Sophia e Luke nada mais era que décadas. O amor era o mesmo; a intensidade do relacionamento era a mesma. Porque quando atinge o grau superlativo, o amor é simplesmente a compreensão e aceitação dos erros; o compartilhamento de momentos simples; sorrisos matinais; ‘Eu te amo’ inesperados.
“- Não – diz Ruth, sua voz assumindo um tom sedutor. – Sim, você beijou, mas não foi só um beijo de boa-noite. Mesmo naquela época, pude sentir nele a promessa de que você me beijaria assim para sempre.” Pág.: 71
E o fim deste livro é tão surpreendente e incrível. Ah, e tão feliz! O entrelaçamento das estórias causa uma sensação de êxtase no leitor e faz o mesmo se deliciar com a tal ‘luz no fim do túnel’. A esperança de que independente de qualquer coisa, o amor é um sentimento que deve ser experimentado por todos e cada um.
Uma grande obra de um grande autor. Para os fãs a reafirmação de que Sparks é um dos autores mais célebres; para os que ainda torcem o nariz, um livro que não tem um fim triste e que pode cativar pela simplicidade.

Enquanto os personagens continuam vívidos na minha memória, Uma Longa Jornada ficará na minha estante até o dia em que o pegarei de novo, já esquecido de grande parte da estória, e me surpreenderei de novo com esse jogo maestral com o qual o autor parece conduzir cada um dos seus livros... E ficarei feliz em mais uma vez repetir sem medo: Nicholas Sparks é um dos meus autores favoritos.
Afinal, a vida é mesmo Uma Longa Jornada. Ou não?!

Boa Leitura!

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5 comentários:

  1. Faz tempo que quero ler esse livro, sua resenha me deixou mais curiosa ainda.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  2. Eu comprei este livro. Só falta este para eu ler. Sou fã, amo muito mesmo!!!
    E sua resenha me deixou assim, embasbacada - será que existe essa palavra? - apaixonei.
    Lindo resenhão.
    As facetas do amor são mesmo muitas, difíceis, fáceis, complicadas, tristes e felizes. O amor tem mesmo muitas caras!!
    Estou amando você agora, kkkkkkkkk Só pelas palavras que você disse sobre o livro e o autor!!!

    Parabéns, você colocou divinamente palavras emocionantes!!

    Bjks

    Lelê Tapias
    http://topensandoemler.blogspot.com.br/
    Vote > http://bit.ly/194R4NV Vale 1 por dia. Obrigada! ;))

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  3. PARA TUDO!
    PRECISO DESSE LIVRO *o*
    Depois dessa resenha tenho que comprá-lo. Não sou a fã de carteirinha de Nicholas, mas alguns livros me surpreendem.

    O blog volta ao ar, com template novo!
    Confira!
    http://musicaselivros.blogspot.com.br/

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  4. Oi Ronaldo!

    Linda a sua resenha e me fez ter outra visão dessa obra, além de me comover. Li apenas um livro do autor que também tinha um final feliz e gostei. Não cheguei a me apaixonar por sua escrita, mas o livro funcionou comigo e se for ler outro livro dele já vou ter anotado este que indicou.

    Abraço

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  5. Me emocionando com a sua resenha.... O sentimento que o Nicholas quis passar foi mesmo esse. Você escreveu e detalhou tudo divinamente; sempre que comento sobre o autor digo que ele transmite uma calmaria e sentimentos bons a quem está lendo. De todos os romances que li até agora, esse sem dúvida foi o melhor. Abraços Ronaldo. :)

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