sexta-feira, 6 de junho de 2014

[Resenha] Então, conheci minha irmã - Christine Hurley Deriso.

Título: Então, conheci minha irmã.
Título original: Then I Met My Sister.
Autora: Christine Hurley Deriso.
Editora: Gutenberg.
Nº de páginas: 240.
Sinopse: Summer Stetson não conheceu sua irmã. Sua mãe engravidou dela assim que Shannon morreu, aos 17 anos, em um terrível acidente de carro, que se chocou com uma árvore. Ao longo de sua vida, Summer acostumou-se a assistir seus pais repetirem o quanto a irmã era perfeita, amada e boa filha, e por isso sempre acreditou que fosse uma decepção para eles. Ao fazer 17 anos, recebe da tia de presente o diário que Shannon escrevia até o dia de sua morte. Ao ler aquelas páginas para saber mais sobre a irmã, acaba descobrindo alguns segredos, e a cada revelação, sobre a família e sobre si mesma, entende que a verdade pode ser, por vezes, dolorosa, mas nunca deixará de ser libertadora.


Nota Pessoal:

A história de Então, conheci minha irmã, é repleta de altos e baixos. Apesar da proposta se mostrar um tanto quanto clichê, tipo esses filmes que mostram a ‘vida no ensino médio’ dos adolescentes estadunidenses, Christine Hurley soube levar bem sua trama. Decerto que ela não parece inovar tanto – verdade seja dita: a maior parte da história não se mostrou tão ‘atrativa’ para mim – e que a Summer, a protagonista, não seja das melhores até mais da metade do livro, mas quando parei para pensar o que se poderia tirar de proveitoso da história (porque é claro, tinha uma mensagem ali) percebi que deveria ser como foi.

Quer dizer, achei a leitura bem ‘rasa’, mas realmente as situações vividas são reais e os diálogos soam naturalmente; tanto os diálogos adolescentes, a maioria entre Summer e Gibs, quanto os trocados entre Summer e sua mãe, ou entre a garota e sua tia Tia Nic. O ar ‘natural’ com o qual toda a história é levada foi o que me deixou ir até o fim e descobrir que afinal, toda história pode melhorar e esta ficou mesmo bem legal.

Isso. Apesar de ter achado o começo bem ‘mais ou menos’ – achei que toda a história seria assim -, do meio para o fim, que é quando se torna perceptível o amadurecimento da Summer, a história fica bem emocionante. Ela começa sendo uma personagem bem chatinha – aquela típica adolescente ‘tô nem aí’ –, e é até compreensível pela ‘pressão’ de ser igual à irmã que morreu, porém, a autora, de forma mais natural e menos abrupta e moralista possível, a transforma. É importante dizer isso porque vejo a situação como a mais significativa que o livro teve.

Summer é uma personagem complicada. Veja bem, ela nasceu pouco depois da morte da sua ‘irmã perfeita’, Shannon, e vive na sombra da mesma e na obrigação de ser tão perfeita quanto ou fazer um esforço para. Só que as pessoas são diferente, né?! E definitivamente ela estava disposta a não seguir a boa cartilha de garota perfeita ditada por sua mãe – seu pai?! É, ele meio que diz ‘amém’ para tudo que a esposa fala.

Só que quando Summer recebe da sua tia Nic o diário escrito no último verão de vida da Shannon, percebe que a irmã não era tão perfeita quando seus pais faziam parecer. É através das palavras da irmã e da ajuda do Gibs – bingo! O garoto que é seu melhor amigo e bingo!  É o mesmo que vai se apaixonar por ela e ela por ele – que Summer irá se deparar com uma nova perspectiva de vida. Até onde é possível ir? Como lidar com tantas coisas ao mesmo tempo? No diário, Shannon está bem longe da imagem perfeita pintada pelos pais, e Summer é levada pelas palavras que revelam uma irmã diferente da que conhecia. Além disso, tem o Gibs; ela estava apaixonada pelo Gibs. E tem os segredos; os segredos que Shannon revela no diário. Como lidar com tudo isso? É isso que Christine Hurley nos convida a descobrir.

“- Tudo bem, mesmo – protesta ele, brincando, depois aperta os olhos, encabulado. – Confesso, talvez as fotos do facebook sejam um pouco demais. Só quero estar com você. Definitivamente, quero beijá-la mais. Muito mais, na verdade!” Pág.: 168

A autora me pareceu saber exatamente onde ‘estava pisando’. Certo que nada disso é inovador, e os acontecimentos que sucedem a descoberta do diário são os mais previsíveis possíveis, mas a previsibilidade não ofusca a naturalidade da história.

Gibs é um desses muitos personagens que podemos encontrar por aí. Ele é tão previsível que durante a leitura eu pensava: Gibs, cara, todo mundo já sabia que essa amizade de vocês ia acabar assim; e era totalmente óbvio que vocês iam se apaixonar e blá blá blá. E se foi ruim?! Não, não foi. A autora deixa a história deles ‘ser levada’; esse amor entre a Summer e o Gibs está beeeeeeem longe de ser o foco principal, e acho que foi justamente por isso que tudo aconteceu como deveria. Ela não apressa os acontecimentos e o amor deles é como algo que tinha que acontecer, mas não como sendo o que prenderia o leitor. Porém, apesar de natural, assim como a maioria das coisas abordadas no livro, é superficial.

E aí eu entro no tópico ‘superficial’. Faltou profundidade na história.  Acho que muitas páginas são perdidas com o ‘drama interno’ que a Summer desenvolve principalmente depois que começa a ler o diário. A protagonista chega a ser irritante por incorporar esse espírito ‘rebelde’ para fazer questão de dizer que é diferente de sua irmã. Certo, ela melhora e muito quando a história já está para acabar – e como falei isso não acontece de forma abrupta -, mas ainda assim está bem longe de ser uma personagem que eu me identificaria ‘logo de cara’. Ao contrário de Gibs, que é um personagem legal do começo ao fim.

Os trechos dos diários são escritos em itálico, o que dá pra diferenciar bem as ‘duas’ histórias.

Então é isso. Não é uma história grandiosa, mas ainda assim acho sua leitura válida e por que não dizer proveitosa. É um daqueles livros que me fez companhia num dia ensolarado; sabe, para ‘passar o tempo’. Quando escrevo ‘passar o tempo’ não estou diminuindo a importância que a história terá de leitor para leitor, estou só dizendo que para mim é tão natural e sem grande complexidade – é, a sinopse me pareceu trazer uma história muito complexa – que ‘passar um tempo’ foi uma ótima expressão que consegui para resumi-lo. E acredite, uso a expressão da melhor maneira que ela pode ser empregada.

Boa Leitura!

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4 comentários:

  1. Oi :)

    Esse livro não chama muito a minha atenção, dever ser porque ultimamente estou lendo coisas mais tensas... Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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  2. Ainda não terminei de ler o livro, estou exatamente na metade para ser expecífica, E até agora eu gostei bastante.
    Os livros que eu leio, tento levar uma mensagem para minha vida. Com este livro, no caso, penso na minha relação com a minha família, o que é bem presente no livro neste "inicio".
    Sempre busco tirar "uma lição" dos livros que leio, como se minha melhor amiga estivesse me contando, não como mais uma simples história.

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